Um sábado de chuva

Consegui caminhar até à praia, para sair um pouco de casa e, sortuda, não apanhei chuva. Só choveu logo a seguir, depois que entrei no restaurante, ao qual decidi ir comer maranhos, pela primeira vez, porque tinha ouvido falar muito bem desta iguaria, e eu gosto de experimentar coisas novas.
Fizesse chuva ou sol este sábado, decidi reservar a refeição, porque tinha que ser por encomenda. O proprietário, natural de Castelo Branco, traz de lá os ingredientes necessários para a sua confeção. Para quem não conhece, o maranho (da Sertã) é uma especialidade da cozinha tradicional portuguesa, difundido pela região da Beira Baixa. Trata-se de um enchido fresco, confecionado com recurso ao bucho da cabra ou da ovelha, que é recheado com carne de caprino ou ovino, alguns produtos do fumeiro, arroz e uma quantidade apreciável de ervas aromáticas, sobretudo hortelã. Eu apreciei bastante, comi tudo. E o atendimento é cordial neste pequeno restaurante, que faz parte do Tripadvisor. Não é barato, já reparei, mas “que se lixe”; não me importa o dinheiro quando vale a pena o momento de prazer. Pronto, este era um dos itens da minha lista “a fazer” e capricho realizado! Enquanto almoçava, reparava em outras quatro mesas ocupadas. Além da minha, só comigo; ao lado uma mesa com um casal (a sério, parecia); outra com três “moçoilas” livres e alegres (pareciam); e ainda duas outras mesas com dois homens em cada uma - casais?... Nos meus devaneios imaginei aquele quadro momentâneo como uma amostra do mundo em que vivemos: mulheres juntas, livres e divertidas; homens juntos como casal, talvez, cada vez mais; uma mulher que sai sozinha para almoçar, sem esperar ter companhia para sair; e um casal “normal”! Este mundo não deixa de estar interessante, nota-se que as pessoas (decididamente) procuram viver a seu bel-prazer. Sem tabus, nem preconceitos, sem se importarem com o que os outros pensam ou deixam de pensar. Será que mulheres se entendem melhor entre elas, homens se entendem melhor a viver como casal, enjoaram das mulheres chatas?...Pois, a vida nem sempre é um mar de rosas. Por exemplo, falando dos casais "normais", ainda existe muita boa gente a viver dececionada, atrelada a alguém sem qualquer conexão, apenas por medo de ficar só… O vazio em certas casas ocupa um espaço imenso. E, de repente, confirmo para mim mesma: melhor estar aborrecido sozinho do que aborrecido a dois, a três ou a quatro. Devo pertencer a uma minoria... E assim tenho andado, estranha, introspetiva, devaneando, nestes dias de chuva, com algumas abertas, que ainda me permitiram dar um passeio pela beira-mar, e depois voltar para casa sem precisar de usar o chuço*… E amanhã, domingo, um programa diferente: ir votar! (*) Chuço – guarda-chuva, no norte (informal) E se a nossa religião fosse cuidar uns dos outros? Se a prática fosse a nossa Vida? Se as nossas palavras fossem a Oração? Se a Terra fosse o templo? Se as florestas fossem a nossa igreja? Se o oceano, os rios e os lagos fossem a água benta? E se os nossos relacionamentos fossem a meditação? Se o Mestre fosse a vida? Se a sabedoria fosse o autoconhecimento? Se o Amor fosse o centro do nosso Ser?... Haja Paz-Compaixão-Amor!

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