Um domingo de outubro

Finalmente a chuvinha, tão necessária. Tempo para cuidar da casa e de mim mesma, sempre tanto para fazer: organizar roupas, papelada, e encontrar recordações; cozinhar; hoje até fiz um coquetel só para mim, um saboroso daiquiri; ler, dançar ao som da música preferida; aulas de ginástica ou ioga com a ajuda e companhia do Youtube; ver um filme ou uma série; ouvir podcasts ou assistir a “lives” com gente interessante e interessada em temas que me atraem, por exemplo, o da felicidade… Me pergunto como há pessoas que se aborrecem tanto a fazer “nada”(?)… com dezenas ou centenas de canais na TV ou com internet, ou com um telefone para comunicar, como é possível alguém sentir tanta apatia. Na minha opinião, será mais falta de interesse. Faria falta, sim, a presença física de alguém, mas do jeito que as pessoas andam estranhas, aparvalhadas, sem noção de nada, aquele ditado “antes só do que mal-acompanhado” faz cada vez mais sentido. Mais um conceito: “Felicidade é quando te sentes bem contigo mesmo(a) sem sentir necessidade da aprovação de ninguém”… Cá estou eu sempre falando de mim, do meu ser e estar, chamem-lhe hedonismo psicológico ou narcisismo, o que for… dou-me muito bem comigo própria e dispenso quem não acrescenta nada à minha vida e só quer perturbar. Na verdade, sinto-me um exemplo de mim mesma. Apesar de algumas vicissitudes, deceções ou tristezas ao longo da vida, dou comigo a admirar telas de fotos minhas desenhadas por amigos e reparo no meu largo sorriso: a minha essência (agora eu sei). Sinto-me abençoada e muito grata todos os dias por ser quem sou ou em quem me tornei, e decididamente recuso-me a conhecer ou conviver com pessoas básicas, que não acrescentem nada ao meu ser. Com o passar dos anos, as amizades mudam, umas ficam estranhas, outras distanciam-se, felizmente as que valem a pena ficam para sempre. Porque entendo que cada pessoa tem a sua própria vida, e está tudo certo. Entendo, melhor do que nunca, como as pessoas agora se viram tanto para os bichinhos. Não há pachorra para aturar ninguém. Mas eu ainda gosto de gente em carne e osso. Sou feliz e quero atrair gente feliz como eu...what else? Apenas sem paciência para quem não aproveita o melhor de si e da vida, às vezes com muito mais condições ou oportunidades do que eu… Sem mais paciência para mimimi, nem para infelicidade. Gente infeliz é complicada e eu não gosto de complicações. E decido que não dou mais a ninguém o poder de me magoar. Satisfeita comigo mesma, escrever é uma autoterapia, e ao mesmo tempo vou aprendendo tanto… Ainda há amigos que surpreendem com a sua visita, e que se preocupam "diz quando chegares a casa..." após uma grande caminhada pela cidade na noite serena, à procura de um lugar de diversão, mas sem sucesso. Havia futebol na TV. São estes momentos que valem a pena, com sentimento melhor ainda. Li uma vez “se tens o poder de te sentares sozinho num restaurante, ou numa sala de cinema, então tens absolutamente o poder de fazer qualquer coisa que queiras na vida!” Uma mulher que consegue ficar sozinha é uma mulher perigosa. Porque, se ela sabe ficar sozinha, ela deixa de tolerar tanta estupidez. “A solidão desola-me. A companhia oprime-me. A presença de outra pessoa desencaminha-me os pensamentos", do “Livro do desassossego".

Comentários

Mensagens populares deste blogue

Swipeless

Energia que fala

Amizade boa