Tão sós
Tenho a nítida sensação que iniciei este novo ano de um modo estupidamente relaxado. Isto é, comparando com tudo o que vejo ao meu redor. Sinto que estou realmente comprometida com o facto de ser quem eu sou, ou em quem me tornei, permanecendo com a minha essência, e que nada mais poderá facilmente afetar-me.
O mundo está deveras estranho, e esta opinião não é só minha. Os da minha tribo pensam o mesmo. Estou preocupada com a saúde mental de muita gente que parece “normal” e anda por aí, até na própria família às vezes, enganando os mais incautos. Mas aprendo a observar apenas, e deixar ir. Seja o que Deus quiser, cada um é o que é. Pena é não saber se valerá a pena “bater no ceguinho”, ou seja, querer ajudar quem não pede ajuda, ou quem não nos dará o devido valor. Ao mesmo tempo, a preocupação é que as doenças mentais são silenciosas, nem o próprio doente deve ter noção do que se passa.
Quando lemos ou ouvimos sobre pessoas falecidas, muitas por morte natural ou algum tipo de doença, outras de repente, infelizmente há algumas que decidiram pôr termo à vida, tanto pessoas lindas, jovens e bem-sucedidas como as que passam por outros problemas graves. Não sei se é por agora haver excesso de informação e sabermos tudo a toda a hora, a verdade é que este mundo não está para qualquer um. Onde existe cada vez maior solidão no meio de uma multidão, há quem não aguente mais a alma dentro do corpo e decida deixar de estar por cá. Quão insuportável se terá tornado o mundo para que optemos por deixar de pertencer-lhe? Quão toldados pela superficialidade das horas estaremos para nos termos esquecido de como se vive? Estamos muito sós e não é fácil encontrar quem nos veja como realmente somos e possa ajudar em momentos quando o peito acumula uma pressão desumana. Fazem falta almas companheiras para protegerem-se, ajudarem-se e apoiarem-se na resolução dos seus conflitos mais íntimos, quem se entristeça verdadeiramente com a tristeza uns dos outros. Às vezes o silêncio de alguém, quando é prolongado, tem algo por trás. Nem toda a gente que está sempre a sorrir está bem. Se não demonstrarem de verdade, como vamos saber qual a realidade de cada um? Por isso eu andar agora estupidamente relaxada. Aceitar as coisas que não podemos mudar não é acomodar-se, é parar de lutar com a vida e reconhecer os nossos limites. A aceitação é a maneira inteligente de saber que às vezes a maior mudança que podemos e precisamos fazer é dentro de nós. Além disso, não somos de cá. Não pertencemos aqui. Há um dia que decidimos todos ir para casa.
E como reza uma conhecida oração: “Concedei-nos Senhor serenidade necessária para aceitar as coisas que não podemos mudar, coragem para modificar aquelas que podemos, e sabedoria para distinguirmos umas das outras”… é assim que encontramos a chave da nossa PAZ.

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