Antevéspera de Natal
De manhã, um passeio pela beira-mar, um sol quentinho de primavera, sem vento e sem documento, pouca gente...com quatro dias livres pela frente, para muitos como eu, talvez o pessoal ainda esteja a acordar, a preparar a casa e as comezainas para a noite de Natal com os familiares ou, quem sabe, no stress das últimas compras, para quem gosta de deixar para a última...Tão bom tempo que até apetece tirar a roupa, a que tenho desde a noite anterior (porque sempre esfria um bocado), e dar um mergulho. Fui verificar na APP "beachcam" a temperatura da água do mar e mostrava 17º, nada mau, seria capaz dessa façanha, se não fosse depois ficar desconfortável com o corpo molhado e ter que voltar para casa.
Pelo caminho vou pensando em todas as pessoas que estão longe, por quem eu sinto carinho e que me acarinham também. Penso também nos seres queridos que tenho perdido ao longo da vida, que partiram cedo demais, um luto que nunca acaba...Quando tal acontece, fica sempre aquela sensação de impotência perante o Destino, a efemeridade da nossa Vida que assusta, quando nos despedimos de alguém nunca sabemos se será o último beijo ou abraço. Então, há que aceitar que estamos por aqui de passagem e vamos fazer o melhor que soubermos e pudermos. Mais um Natal…não apetece preparar nada, sozinha ou na companhia de amigos, tudo está certo, desde que esteja bem comigo mesma, e de coração tranquilo ...
Quando caminho pelas ruas da cidade, ou pela praia, consigo exercitar as pernas e a mente. As ideias para escrever fluem, tenho que parar às vezes e anotar os meus pensamentos, não vá esquecer algo importante.
Mais um pôr do sol, tempo para fazer um balanço: o dia a terminar para dar lugar à noite, e deixa-nos a pensar na vida, nas suas voltas e, por ser quase final de ano, em balanços internos. Na vida temos sempre duas escolhas: ou sentimos pena por algo que terminou; ou excitação por algo que está a iniciar. Os ciclos que terminam podem ser isentos de dor se trouxerem paz e se o foco for gratidão. Os ciclos que iniciam podem ser isentos de medo se trouxerem alegria e entusiasmo… e se o foco for evolução.
O pôr do sol é a manifestação física desta descrição: a cada "sunset" podemos sentir pena e tristeza pelo dia que acabou, ou gratidão pelo mesmo, por o termos vivido e por termos sido felizes. Também podemos sentir medo pela noite que aí vem… ou entusiasmo pela possibilidade de ver as estrelas…A escolha é pessoal e intransmissível.
Cada pôr do sol que eu possa apreciar no final de um dia é sempre um momento lindo e confortante, como sinto que tem sido a minha vida ultimamente neste lugar, porque escolho que assim seja. E por isso sou imensamente grata. Grata quando acordo a cada novo dia, por estar viva e poder ver o sol a nascer; e quando chega a noite, poderei ver a lua a crescer ou decrescer, e sou grata pelo dia que passou.
Há coisas que atraímos para nós porque a Energia vai para onde estiver o nosso foco, ou para onde a canalizarmos. Pura Magia!
VIVER requer ver a magia do Universo com olhos gratos de criança…sabendo que mesmo que o dia acabe, a noite pode ser maravilhosa, perpetuando a nossa felicidade interior.
A vida é feita de escolhas, as nossas, ao entender isso aceitamos melhor as coisas. Já basta o que não podemos controlar. E eu, sempre grata ao que termina e maravilhosamente excitada pelo que inicia.
Pode-se comparar um pôr de sol ou o final de um dia a um fim de ano… Assim, mesmo com uma guerra sem fim a acontecer, eu desejo para todos os seres deste mundo, em especial aos que me rodeiam, festas felizes e um ótimo ano novo 2024.


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