O primeiro domingo de maio
Nunca fui mãe, para poder sentir o que as (pro)genitoras sentem em determinados momentos – “quando fores mãe hás de saber como é que é!”, muitas de nós já ouviram essa frase. Não sou menos feliz por isso. A poucos dias de celebrar o dia da Mãe, que antes era no dia 8 de dezembro - dia de Nossa Senhora - tive a feliz notícia que daqui a alguns meses serei tia avó...foi uma surpresa boa...
Mais uma mãe no mundo...
Admiro quem ainda faz questão de trazer seres indefesos a este mundo de loucura ou a este planeta em extinção...
Ao mesmo tempo, quero ser otimista e pensar positivamente, que muita coisa ainda pode melhorar, mas muitas vezes surgem dúvidas...como pode melhorar um mundo em que se vê tanta riqueza e desperdício por aí fora e, simultaneamente, passamos por pessoas a dormir nos passeios, ao relento, debaixo de caixas de papelão? Nem sei descrever a sensação que me invade; me pergunto, o que terá levado aquele ser a chegar àquele ponto, muitos até "preferem" morar na rua (ouço dizer, às vezes)… Onde andam os amigos, ou a família...?
No tempo do “covidizer” muitos adivinhavam que o mundo se transformaria, ou ficaria mais humano, ao pensar que hoje somos TUDO, amanhã seremos NADA. Vem uma praga de repente e acaba com tudo. Qual quê?
Continuamos a deparar-nos com uma sociedade onde existe uma indiferença ao semelhante, uma crueldade gratuita, um egocentrismo ridículo, uma raiva por tudo... e por nada. Tudo isso para quê?
Temos que ser fortes, para que não consigam desumanizar-nos. Muitos são frágeis e sucumbem facilmente. Normalmente isso acontece com gente super sensível. Eu tento ser imune. Confesso que, na minha sensibilidade de Escorpião, estive perto de contrair essa "doença" (raiva), várias vezes... e em todos esses momentos eu pratiquei o “contar até 10”, ou respirar fundo tentando entender o lado do outro, e a seguir o isolamento como defesa e reflexão. Sempre tive a ideia que era melhor "olho por olho e dente por dente" mas também não sou apologista de "dar a outra face". Agora prefiro ser inteligente, não contra-atacar, se a outra pessoa é estúpida e nunca vai entender. Parece difícil, mas tudo é uma questão de treino.
Nunca deixarei de dizer “obrigada” e “desculpa”, se for necessário, palavras que fazem milagres, mesmo que eu não as ouça de outras pessoas. Aliás, posso dizer que abomino quando cumprimento ao passar por um desconhecido e esse (ou essa) nem sequer me olha. Felizmente há exceções para tudo na vida como, por exemplo, aquelas pessoas que nos olham ou cumprimentam de verdade, ou apenas com um sorriso.
A minha resposta à maldade será sempre ignorar a estupidez humana e seguir em frente, com um sorriso... este SORRISO é com a esperança de que, de algum modo, possa ser um antídoto... uma cura.
Sou imune à desumanização e isso faz-me sorrir. Para mim, isso já um motivo para sentir-me feliz.
Posso não conseguir mudar o mundo, mas se conseguir mudar alguma coisa, por pouco que seja já valeu a pena.
Família, vivências:
Crescemos reféns das coisas que nos deviam ter ensinado e não ensinaram, reféns das coisas que nos colaram como etiquetas, reféns da forma como os progenitores se relacionavam connosco e entre eles… Depois, quando ganhamos tino, passamos o resto da vida a ter que tirar as etiquetas e a limpar bem com álcool para sair tudo, e temos de nos construir de novo, ou mesmo “renascer”, às vezes com escassos recursos e fracos alicerces.
Contudo, há que honrar os nossos antepassados e o esforço que fizeram para sobreviver, e nos terem criado da melhor maneira que puderam e souberam. Muitas mães (ou pais) ainda hoje fazem um esforço tremendo para entenderem as novas gerações e os novos hábitos de um mundo moderno, de correria louca. Sabe-se lá para onde.
Que todas as Mães do Mundo se sintam particularmente felizes, no dia que inventaram para elas, e em todos os dias do ano, assim seja!

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