A Justiceira...
Participei de uma formação de 8 horas em 2 dias: Atitude Coach – Relações Interpessoais. Gosto deste tipo de formação, onde encontro pessoas de todas as idades e com diferentes maneiras de ser e pensar, o que me faz ver uma amostra do mundo onde vivo, digamos assim. Sempre há uma ou outra pessoa mais retraída, introvertida (incluindo eu), porém, a maioria costuma ser participativa, e quase me dá vontade de dizer “gostava de ser assim, eloquente”. Porém, cada um é como cada qual. Sou como sou, e já não vou mudar. Só se houvesse muita necessidade nesta altura da vida, uma questão de vida ou de morte…
Quando da apresentação de cada um de nós, normalmente no primeiro dia, a formadora pediu que cada um mencionasse um herói com quem se identificasse. Deixei-me ficar para ser quase a última a falar, como de costume, e também porque queria tempo para pensar, qual seria o herói com que me identifico. Não li nem me contaram muitas histórias quando era criança, mas lembro-me que na juventude gostei de ler alguma banda desenhada…
Seria o Garfield? - O gato que gosta muito da sua vida pachorrenta em casa, e tem como principais atividades dormir muito, e que adora comida italiana, sobretudo lasanha, pizza e esparguete… Sei lá, ah esse não.
Seria a Mafalda? - A caricatura que se comporta como uma típica menina na sua idade, mas tem uma visão mais humanista e aguçada do mundo, sempre a questionar o que se passa ao seu redor, principalmente o contexto dos anos 60 em que se encontra…
Ou o Peter Pan? - O pequeno rapaz que se recusa a crescer e que passa a vida a ter aventuras mágicas num lugar onde as crianças nunca crescem; a terra do Nunca…
Ah já sei, acho que sou o Robin Hood, o Justiceiro, respondi eu, quando chegou a minha vez. Porque sou quase um tipo de “fora da lei”, quando se assiste a tanta injustiça e incoerência no mundo em que se vive, o que abomino, e seria capaz de lutar até ao fim para restaurar a ordem e a justiça. Mas, sozinha, deixo-me estar como o Garfield…
Acho interessante o modo como ando a conhecer-me. Muita gente boa deveria fazer o mesmo. Observo que o mundo está cheio de gente destrambelhada e ainda se sente com “poder” para destrambelhar os outros. Retro!
Mando essa gente procurar terapia, mas na verdade penso que ninguém vai curar ninguém, se cada um não parar e olhar para dentro de si próprio... Vão a um terapeuta para simplesmente queixar-se das suas vidas horríveis, sem sentido, ou, de algum modo, pedir para serem “curadas” (por outra pessoa). Fazer com que as pessoas percebam que são elas quem determinam o resultado das suas vidas nem sempre é fácil. De um modo geral, na verdade essa é uma tarefa sufocante.
A vida é uma dádiva e uma alegria, e a felicidade é ou deveria ser o único modo de se viver. Estou convicta de que qualquer pessoa que seja basicamente sadia pode assumir o comando e levar uma vida plena. Prefiro acreditar que o nosso Criador não concede privilégios, que cada um de nós foi criado como uma pessoa singular, mas com oportunidades iguais para experimentar a vida na sua plenitude. Vou aprendendo que os recursos de que precisamos para transformar os nossos sonhos em realidade estão dentro de nós, aguardando apenas o dia em que decidirmos despertar e exigir aquilo a que temos direito. Um bom começo é fazer uma lista de todas as coisas que não aceitamos ou não toleramos mais na vida, e de tudo o que aspiramos a ser!

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