Dia 6 Dia de Reis
Antigamente, a troca de presentes acontecia no Dia de Reis (quando de facto os reis magos presentearam o Menino Jesus) e não na noite de Natal. Estando as datas muito próximas, os hábitos foram-se alterando. No entanto, há quem continue a fazê-lo dessa maneira, principalmente nos países hispânicos como Espanha. Aqui, sobretudo nas pequenas vilas e como manda a tradição, as pessoas vão para as ruas cantar as “janeiras”, de porta em porta e, como forma de agradecimento, os moradores das casas oferecem aos cantores, alguns doces, ou outras iguarias.
Em Dia de Reis muitas pessoas aproveitam para desmontar a árvore de Natal, marcando o fim da época. Há a tradição do bolo-rei, que traz dentro dele uma fava. Quem ficar com a fava, terá de oferecer o bolo no ano seguinte. As tradições vão ficando pelo caminho, pouca gente as mantém agora. É que também surgiram novas leis: em 1999, a lei portuguesa ditou que não era mais permitido colocar brindes no Bolo-rei, já que isso poderia constituir um perigo para a saúde, devido à possibilidade de asfixia, ou de doenças gástricas…
Nas ruas e praças, varandas, lojas, acabou o belo espetáculo da iluminaçao que nos encanta… mas em minha casa decido eu: vou manter a minha decoração com algumas luzinhas, e acendo-as quando eu quiser. Natal é assim, será quando um homem ou uma mulher quiser.
Dia 6 de janeiro era sábado, quis fazer a minha primeira grande caminhada pela praia e, para chegar lá, queria usar o meu novo passe de autocarro, agora pela metade do preço :-) E os autocarros, onde andam? Nesta pequena cidade, para quem vem do Porto, é uma surpresa ver como funcionam. Em certas zonas, não há ao fim de semana, e durante a semana também é um bocado complicado. Levei quase 9 anos a querer descobrir como funcionam os “minibuses” aqui e sempre achei curioso o som que emitem “dim dom dim dom” ao passarem por mim na rua. Há 2 meses ando a experimentar um ou outro, têm à volta de uns 20 assentos, muitas vezes viajo praticamente sozinha, ou entram mais 2 ou 3 pessoas. Raramente está quase cheio; entendo pelo tráfico intenso nas horas de ponta que aqui ter viatura própria é uma prioridade. Moro muito perto, e muitas vezes chegaria ao destino mais depressa a pé, em vez de perder tempo na espera, ou algum que falhe.
Enfim, para quem vem da cidade grande, há muita coisa para comparar e gostar ou desgostar. Mas, voltando à minha caminhada, um bom exercício físico enquanto percorro as ruas, e mental também, porque mais ideias para escrever vão aflorando com facilidade, enquanto aprecio a natureza linda, curto um sol quentinho de inverno ameno, aqui e ali uma laranjeira, um limoeiro, e que surpresa, reparo num mamoeiro com belos mamões na entrada de uma casinha, que me remetem para Angola e me dá saudade de tempos idos.
Finalmente cheguei à praia e estava maravilhosa. Enquanto há frio, chuva e neve em tantos lugares, aqui ainda podemos ver pessoas descascadas ao sol, ou mesmo alguém a nadar num mar lindo com temperatura de 17.4 graus… Sinto-me uma sortuda aqui. Caminho algum tempo pela beirinha do mar, com cuidado para não molhar as calças, até voltar para casa no “dim dom dim dom”, desta vez com várias pessoas, e eu deveria ser a única portuguesa ali, pois escutava vários idiomas sem conseguir destrinçar quais as nacionalidades.
Portimão, o meu Porto à mão!


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