Mais um Natal passado
Apesar de cada pessoa viver esta época do ano à sua maneira, a época natalícia reveste-se sempre de uma magia e encanto especiais. O Natal remete-nos para a família, a alegria contagiante das crianças, a árvore de natal, os presentes. É por excelência uma altura do ano em que valores como a partilha, solidariedade, empatia, estão mais presentes. Adultos que voltam a ser crianças na excitação de partilhar alegria e de ver a família reunida e feliz num ambiente de cor, calor e gargalhadas, e ainda a partilha de presentes.
E mais um que se passou, bem ou mal. Com amigos chegados, a comer e a beber, a provar diferentes iguarias. Não havendo crianças e a candura que as caracteriza, quando se está bem consigo próprio(a), ou com paz no coração, até sozinha no seu lar aconchegante uma pessoa passa bem. Já o fez, e faria outra vez, se assim fosse melhor para ela. Dependendo das famílias, há quem se contente com um Natal “bom e com saúde, que é o mais importante”, mesmo sem haver jantarada, como é o hábito da maioria das famílias, por tradição. Ela lembra-se da sua família reunida, durante anos, mas apenas para comer, encher a barriga, conversas soltas; não se lembra de sentir o calor ou o afeto familiar, a doçura, a ternura. Quando isso não existe ao longo do ano, não vai acontecer em dois ou três dias, obviamente. De uns anos para cá, essa família que se juntava – com pai, mãe, filhos, um ou outro neto às vezes, sendo apenas dois - ficou agora reduzida a duas pessoas, normalmente, a matriarca e um filho (dos quatro que teve), aquele que não construiu a sério (ainda) a sua própria família. O resto da gente que “enchia a casa” foi ficando ausente, só porque sim, porque nada atrai para a casa que devia ser o ponto de encontro familiar, onde buscar colo, as raízes, o amor…
Ela entende que pode existir família tóxica, e as coisas acontecem por algum motivo. Mas perdoar é libertar-se. Cada um de nós carrega a família dentro de si, é necessário e urgente aprender a ressignificação. Precisamos resolver-nos interiormente, com as nossas próprias emoções, para sarar as nossas feridas. Perdoar as nossas famílias pela sua imperfeição não é validar ou concordar com as suas atitudes, é libertar-se de mágoas, culpas, dores e remorsos. É caminhar com mais leveza, entender que a perfeição não existe em nenhum lugar, que também somos imperfeitos e podemos ir aprendendo ao longo da vida, se quisermos, que o passado ficou para trás e que temos a chave da libertação e o controlo da nossa vida agora. Leva tempo a aprender tudo isto, mas conseguimos. Basta querer.
Apesar do sossego que muita gente prefere nesta época do ano, sem ter que seguir normas, há sempre um desejo comum de Natal que é “saúde para si, para os seus e para todos.” Ah e importante: PAZ no coração!

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